Sonho com o Messias
MARCOS ROBERTO INHAUSER
marcos@inhauser.com.br
Lembro-me a primeira vez em que ouvi o Aleluia de Haendel. Ainda pequeno, o coral da minha igreja, nas palavras do regente, se “atrevia” a cantar o coro do Messias, opus magna de Haendel. Ele dizia que se atreviam porque o coral era bastante limitado e a obra grandiosa.
Lembro-me ainda que o regente contou que, quando o coro Aleluia foi cantado pela primeira vez, os ouvintes foram se emocionando e, ao final, toda a platéia estava em pé. Disse ele que, a partir de então, se estabeleceu um costume de sempre ouvir o em pé. Nunca me dei ao trabalho de pesquisar para saber se a informação estava correta ou não. O importante para mim era que, desde aquela oportunidade, ouvir o Aleluiaé uma das coisas mais sublimes que posso experimentar. Para mim, a música coral é a experiência mais próxima do paraíso que o ser humano pode experimentar. Sou capaz de ficar horas e horas ouvindo um coral cantando.
Foi uma agradável surpresa receber o convite do maestro Daniel Amato (de cuja família tenho excelentes recordações) para participar das apresentações do Coral Koinonia, que é a junção do Coral Hípica de Campinas, Coral Data Venia da Cidade Judiciária de Campinas, Coral da Prefeitura Municipal de Campinas e Coral Nós por Voz, de Americana, além de significativo reforço de coralistas do Coral Municipal de Rio Claro.
A primeira apresentação deu-se no sábado, dia 9, no templo da Igreja Presbiteriana Independente de Campinas. No próximo sábado haverá uma nova apresentação na Hípica de Campinas, e depois, no dia 17, em Rio Claro; no dia 20, na Igreja Santa Rita, em Campinas; e no dia 21 na Igreja São Domingos, em Americana.
A experiência de participar de uma cantata como esta é algo que não se pode descrever. Há algo na obra, no cantar, no ouvir, que ultrapassa a compreensão humana. Há um mistério (que como cristão, eu chamaria de unção) que mexe com os corações de todos. Ouvi testemunhos de coralistas que se diziam tremendamente emocionadas e tocadas enquanto participavam. De minha parte, como narrador, digo que foi um sonho que sonhei e que nunca pensei que pudesse um dia ser realizado.
A apresentação do Coral Koinonia tem ainda um elemento por demais significativo: todos são voluntários, que deram horas e mais horas de suas vidas para realizar o sonho de cantar o Messias de Haendel. Isto é digno de elogios. Parabéns.
Marcos Roberto Inhauser é teólogo e presidente da Igreja da Irmandade
